13/02/2026

Coaf produz mais RIFs em 2025 e tem recorde de comunicações suspeitas

Por: Danilo Vital
Fonte: Consultor Jurídico
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produziu 20.548
relatórios de inteligência financeira (RIFs) em 2025, ano em que teve recorde de
comunicações suspeitas feitas pelos setores obrigados.
Com isso, o órgão entregou uma média de 56 RIFs por dia, o que representa um
aumento de 9,5% em relação a 2024 — foram 18.762 relatórios naquele ano,
média de 51 por dia.
Esses documentos são usados para abastecer investigações criminais e, embora
não sejam provas de ilícitos, indicam caminhos a serem seguidos pelas polícias e
pelo Ministério Público.
Os números são divulgados pelo próprio Coaf. Eles ainda mostram que, no ano
passado, o Conselho recebeu menos intercâmbios — a maneira que os órgãos
habilitados têm de pedir informações financeiras.
RIFs e intercâmbios
Membros do Ministério Público, delegados de polícia e outras autoridades
podem usar o Sistema Eletrônico de Intercâmbio (SEI-C) para registrar dados
sobre pessoas investigadas, ilícitos e modo de cometimento desses crimes.
Ao receber essas comunicações, o Coaf verifica no banco de dados que já possui,
decorrente do recebimento de informações dos setores obrigados, se há
coerência entre a suspeita e as movimentações financeiras. Se houver, o RIF é
produzido e encaminhado.
Esse tipo de RIF, por encomenda, está no cerne de uma grande indefinição
jurisprudencial, atualmente em debate no Supremo Tribunal Federal e com
efeitos espalhados para todo o Poder Judiciário, como vem mostrando a revista
eletrônica Consultor Jurídico.
Em 2025, o Coaf recebeu 24.378 intercâmbios, número 3,5% inferior aos 25.278
do ano anterior. A Polícia Civil foi quem mais se comunicou com o órgão de
inteligência financeira: 12.937 intercâmbios. A Polícia Federal fez 5.488.
Comunicações suspeitas
Nem todos os RIFs são feitos por encomenda. O Coaf tem a prerrogativa de, ao
receber dados dos setores obrigados (comércio de joias e itens de luxo, setor
financeiro e mercado imobiliário, entre outros), fazer relatórios e encaminhá-los
de ofício quando houver indícios de crime.
No último ano, o órgão recebeu um número recorde de comunicações de
operações suspeitas: 3,1 milhões, um aumento de 20% em relação às 2,5 milhões
de 2024.
Esse volume de dados indica um desafio crescente para um órgão que, conforme
apontou seu presidente, opera com enorme atraso tecnológico e de pessoal.